domingo, 25 de outubro de 2009

Frase(s) pinçada(s) - 2

Do Notas e Informações do Estado de  São Paulo de hoje:

"A democracia brasileira é muito restritiva para o presidente Lula. Ele poderia fazer muito mais pelo País, se não fosse tolhido em suas intenções, sempre boas, pelos entraves institucionais. Esta é a tradução precisa de seus insistentes ataques ao Tribunal de Contas da União (TCU) e aos demais órgãos fiscalizadores que ocasionalmente atravessam seu caminho. "O Brasil está travado", disse o presidente ao discursar, sexta-feira, na cerimônia de posse do novo advogado-geral da União, Luiz Inácio Adams. "Não é fácil governar", queixou-se, "com a poderosa máquina de fiscalização e a pequena máquina de execução." Mas a máquina de execução não é tão pequena assim. Isto é evidente para quem acompanha o crescente inchaço dos quadros do Executivo e de sua folha de salários. Não é pequena, mas é cada vez mais ineficiente, por causa dos critérios impostos pelo grupo governante à administração federal.

(...)

(...) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não admite nenhuma responsabilidade pelos obstáculos enfrentados na realização de projetos. A culpa é sempre dos outros e a ocorrência de problemas é facilitada por um sistema institucional disforme. De acordo com a sua descrição, neste país estranho "uma pessoa de quarto escalão resolve e tem mais poder que o presidente da República". A frase é muito importante, porque denuncia, com perfeita clareza, a forma como o presidente Lula percebe o mundo da administração e das normas. O importante, para ele, é o status do agente, não o valor da regra. Por esse critério, um guarda de trânsito não deveria ter poder para multar uma autoridade mais alta. Mas esse critério parece funcionar adequadamente em algumas circunstâncias. Afinal, o presidente da República esteve entre os primeiros contribuintes beneficiados com a restituição do Imposto de Renda pago a mais. Como acreditar em casualidade?


No mesmo discurso Lula voltou a defender suas viagens, para "acompanhar obras" - como se isso fosse função presidencial. "Quem engorda o porco é o olho do dono", argumentou, errando a citação. O animal do provérbio é o boi, mas isso não é o mais importante. Ele respondia nesse momento a quem o criticou por fazer comícios eleitorais às margens do São Francisco. "Não tem problema viajar para fiscalizar", comentou depois o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes. "O problema", acrescentou, " é fazer campanha." "
 
PS: Logo ao iniciar essa séria série (difícil deixar de escrever uma ironia com saber/sabor de trocaletra) de frases pinçadas, tenho plena consciência de que um artigo inteiro está num contexto mais amplo e portanto mais fluente e causal. Não quero no entanto, não faz parte do meu escopo publicar os artigos na íntegra.

Aliás se não leram, ou não tiveram acesso , leiam o artigo do Mauro Chaves no mesmo jornal O Estado de São Paulo, de ontem. Parodiando a (boa) propaganda: - "Não tem preço!"

PS2: Ainda vou pensar sobre o assunto, mas, acho. que ao título dessa(s)  frase(s) pinçada(s) poder-se-ia (ainda não esqueci da mesóclise!) acrescer o título ou subtítulo "O Rei está Nu", quando o objeto das ditas frases forem o nosso "quaserrei" (neologismo meu).

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