Tudo a seu tempo.
De trás para a frente.
Depois de me dedicar por alguns aninhos, poucos na verdade, a escrever resenhas sobre óperas que, periodicamente vão ao ar na Radio Cultura FM de São Paulo, comecei a me dar conta que meus conhecimentos sobre o assunto, embora não desprezíveis, eram baseados em literatura própria (comprada) ou de terceiros, de toda forma, já publicados. Não há como inovar, a ópera segue aos mesmos ditames de um desenho animado. É um texto, cantado e encenado onde não há lugar para as improvisações. E, por incrível que pareça, acontecem um número enorme de imprevistos que tem de ser "sublimados" tanto pelos executantes quanto pela plateia (nem sempre bem educada).
Aos poucos fui formando uma opinião a esse respeito. Ao lado de uns poucos comentários e de observações próprias, eu me vi repetindo o óbvio. Há tantas fontes espalhadas pela Internet, nas Bibliotecas e nas Livrarias, que fica a impressão de que só estamos repetindo aquilo que já foi escrito. Até porque nos baseamos no que está escrito.
Ora, não sou crítico de arte, apenas um amante da boa música. Nunca pretendi reescrever o que já, por aqui, anda escrito.
No entanto, por duas vezes senti o quão difícil é respeitar o texto fonte, a ideia e, ao mesmo tempo, inovar.
Uma das vezes, um leitor das minhas sinopses reclamou que o texto era dele. Ora, o texto apareceu em sua grande parte, no site do Metropolitan Opera de New York, sem nenhum crédito pessoal. Eu, apesar disso, coloquei a fonte no rodapé do texto. Fica difícil contrapor um texto não identificado a uma informação de uma pessoa que "reconheceu como seu" o texto apresentado. Respondi, nos comentários, que "Fulano de Tal" reclamava a autoria do texto. Whatever...
Essa não me convenceu muito, mas vamos lá... Não sou o dono das sinopses, essa a verdade.
A segunda intervenção, essa sim muito inteligente, não tive como responder.
Falava eu, às tantas das obras "brasileiras" de Golttschalk, nominadamente a "Grande Fantasia Triunfal com Variações sobre o Hino Nacional Brasileiro", uma das mais lindas obras que conheço sobre o nosso Hino Nacional, quem não conhece essa peça deve ouvi-la, contrito e emocionado, uma grande peça escrito por um compositor estrangeiro sobre um tema que nos é muito caro e conhecido.
Após uma boa dose de pesquisa, lá fui eu colocar as minhas observações sobre o compositor e de sua música. Não estou bem lembrado dos fatos, mas, às tantas, eu falava da fase que ele passou no Brasil e de como se encantou por tudo que por aqui viu.
Após uns meses, uma pesquisadora norte-americana, muito educada, em português, me fez ver que havia um engano na biografia que eu havia garimpado. Embora eu esteja certo que ela tinha razão, já que tinha trabalhos publicados e bibliografia farta, isso me deixou desmotivado.
Não foi e nem é minha intenção criar uma obra de referência sobre a música clássica, em particular na área operística. Não aspiro esse lugar que não é meu.
Sou mais um ouvinte atento e um aprendiz aplicado.
Sou persistente mas cônscio das minhas limitações. Uma delas, escrever sobre um único e determinado assunto, engessa o pensamento. Acabei cansando...
Ainda voltando as cartas "convencionais", logo depois que postei meu primeiro zé-meio, a que não é um e-mail e nem uma carta, me lembrei da farta documentação deixada pelas cartas de Clara Schumman e Johannes Brahms, mas isso fica para uma próxima ocasião...
Aqui estou desengessado e a vontade para falar das coisas que quero e acho que merecem mais do que apenas dez segundos de atenção e que, a seguir, sofrem o processo do envio rápido e mecânico ao lixo eletrônico (até por que, no caso, esse privilégio é só meu).
Talvez aqui eu esteja reeditando o meu desejo de falar sobre as coisas do cotidiano, que tentei começar lá em meu outro blog, "De Óperas e de Lagartos..." e que minguaram pelo fato de haver tanto trabalho de pesquisa. E haja assunto!!!
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