
Resposta rápida. Uma traquitanagem.
Ainda assim não se esclarece. Essa brincadeira eu fiz ontem à noite em casa e ainda demos boas risadas sobre o fato, ou melhor, como se verá, os fatos.
Tudo começou há uns três meses atrás. Resolvemos dar uma reformada no nosso apartamento. E, como, gato escaldado tem medo de água fria, também resolvemos alugar um apêzinho mobiliado, para facilitar as coisas.
A quebradeira ia ser muito grande e não haveria nenhum lugar para ficarmos em casa, coisinha básica, demolir umas paredes e redistribuir o layout e refazer tudo de novo. Muito mais fácil falar do que fazer.
Aqui começa o périplo.
Primeiro, como viemos a saber imediatamente a seguir, nem todo apartamento decorado é mobiliado e, corolário, nem todo apartamento mobiliado, é decorado.
Optamos por uma apartamento pequeno, honesto, mobiliado (não decorado), perto da onde queríamos, tudo certo. Aí, antes de entrar, minha mulher pegou toda a louça, todos equipamentos, enfeites e o que não era exatamente necessário (a mobília?!), e enfurnou tudo. Aí trouxemos tudo de novo o que guardamos e pronto, lar doce lar...
Quase.
A televisão, mais para balzaquiana do que para adolescente rebelde, não tinha som, o que seria fácil, já que o sintonizador da NET que ficaram de colocar numa sexta (esqueceram de avisar qual sexta-feira, óbvio!) estava desligado. Aí começa a traquitana...
Lá vou eu e ligo o meu sintonizador da NET que havia trazido debaixo do braço e "voilà", por obra do destino, aparece o sinal da NET. Tudo certo, a menos da vetusta TV que não dava um pio, ficamos sem saber se era muda de nascença ou por causa da idade.
No fim dá no mesmo.
Problema de fácil resolução, vim ao escritório e (me) emprestei um par de caixinhas dessas de "25 real".
Só que a dita cuja tinha plug P2 macho. Agora começa a traquitana. Arrumei uma chave para "intermediar" de um lado o sintonizador da NET (ainda no limbo, funcionando mas "não ligado"), de outro um tocador de DVD, todos com saída RCA.
Fácil, compra outra traquitana,cabos com plugues RCA macho , chave do outro. Saída? Outra traquitana, cabo RCA com ponta P2 fêmea. Pronto, tudo funcionando (quase).
Ontem resolvi colocar na terceira entrada, afinal só havia traquitana de três posições de entrada, o meu iPod, já que gravei uns belos concertos na BBC 3, Proms 2009, um festival de verão em Londres de dois meses, música clássica da melhor qualidade.
Perfeito, um liga a NET (a NET veio depois de duas promessas e uma saudade), a outra o DVD de lei, um Philips que comprei na bacia das almas e que consegui destravar para qualquer região, num site onde basta escolher o modelo e onde consegue-se a receita da "dança da chuva", onde são guardados os segredos de polichinelo que zelosamente as companhias resguardam de nós, os terríveis consumidores, segredinhos sórdidos...
Portanto aí vem a terceira traquitana. Cabo RCA com ponta P2 macho...
-Não vendem RCA numa ponta e P2 macho na outra? perguntei inocentemente ao meu fornecedor.
-Não, responde-me ele, educadamente, mas basta o Sr. comprar um cabo com duas pontas P2 macho, viu como é fácil?
Aí ví onde nasce a traquitana, vende-se um aparelho para três aparelhos, cada um com uma traquitana que, por sua vez, engata-se numa outra traquitana.
Tudo isso vira um ninho de ratos respeitável. É fio para todo lado. Os mais possíveis e os mais impossíveis, fios de todas as cores e tamanhos diferentes. Nada que uma trigonometria espacial, tridimensional, não resolva.
Agora temos que contar com a sorte e com as incursôes felinas para que a traquitana funcione. Aliás, já por uma vez, uma das minhas felinas já apareceu com um fio (ponta P2 macho) entre os dentes e quinze minutos depois já estava tudo funcionado...
Nada como uma traquitana bem montada.
E o relógio?
Essa já é uma outra traquitana...
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