quarta-feira, 28 de outubro de 2009
O par perfeito
Eu nem iria comentar nada sobre o assunto já que, em sí, é um assunto banal. Mesmo assim, lembrei-me que neste mês de Outubro completo sete anos do meu lento aprendizado do golf.
Não vou esmiuçar aqui as nuances que envolvem esse jogo tão complicado que necessita uma capacidade que está acima da maioria de nós, eu incluído, para entender as regras.
No fim basta saber o que é um par. Um par três significa um buraco que é feito em três tacadas, sendo uma do "tee" (onde se coloca a bola para iniciar o buraco), que, em princípio, deve ir direto ao "green", que é a área plana onde se encontra o buraco . Daí, usa-se um taco, chamado "putter", que leva a bola, rolando pelo chão, até as proximidades do buraco, "hole", e a terceira é a que tem de ser embocada. Daí o nome "par três". Analogamente temos os buracos de par quatro e par cinco que seguem o mesmo raciocínio, Ou seja duas ou três tacadas até o "green" e mais dois "putters" (sempre). É assim que os campos de golfe são projetados. Basta de teoria. Um campo tem 18 buracos e de 70 a 72 tacadas de "par".
Pois, depois de sete anos, eu ainda não domino o esporte da bolinha parada. É coisa para gente muita concentrada (que sou), muito de obsessão e de compulsão, quase um TOC, em busca do "swing" perfeito e da tacada perfeita. Some-se ainda que pode-se levar na taqueira um máximo de 14 tacos e isso basta para pirar a cabeça de qualquer ser normal, que não sou...
Depois ainda há, a transmissão de jogos de golfe que nos deixa complexados. Já temos até um jogador, Tiger Woods, que tornou-se bilionário (em dólares), e que com fratura de estresse e um joelho bichado ainda ganhou um par de torneios o ano passado. Passou por cirurgia, reabilitação e ainda ganhou uma meia dúzia de torneios esse ano, inclusive a Copa Fedex, coisa de 10 milhões de dólares, pouca coisa.
Pois esses profissionais são daquele time de duzentos ou trezentas pessoas que se destacam, em todo mundo, por suas jogadas (e ganhos) sensacionais.
Encerrados os prolegômenos, passemos aos entretantos.
Pois, depois de sete anos de meu distúrbio com temperos de TOC, eu consegui fazer um par perfeito.
Foi num buraco de par quatro. Vou ao ponto para ser sucinto.
Bola no "tee", um driver de 200 e poucas jardas (é, jarda=~91cm.), distância pouca que eu não dei uma tacada decente. Para conferir, quase dois quarteirões de distância e eu não estava feliz....
O diabo é que a bola ficou atrás de uma árvore, uma "pata de vaca" de seus 10m. de altura e minha bola a umas 15 jardas. No golfe, e na vida é assim, águas passadas não movem moinhos. Pego um "híbrido 5", finjo que a árvore não existe e dou a segunda tacada. Perfeita, lá estou eu de novo no trilho a 80 jardas da bandeira (buraco, como queiram).
Pego um terceiro taco, um "pitch", miro na bandeira e descarrego sem dó na bolinha todo o meu conhecimento (falta de) e vejo a bola subir feito um foguete e cair, elegantemente, a um pé do buraco (pé=~30cm.).
Aí, sem pressa, que essa foi a única tacada fácil, tão fácil que, todos nós, já colocamos para fora dessa distância, eu, qual numa junta médica (que não sou), avento todas as mais impossíveis hipóteses de como não errar esse mísero pé fatal e, chegada a hora, eu pego o quarto taco, o "putter" e coloco a bola no buraco.
Depois de 7 anos eu dei uma série de quatro tacadas dignas de serem filmadas, parece pouco mas não é, ao menos para mim.
Nesse dia eu fui dormir mais feliz, sete anos...
Dá-lhe Camões!
Sete anos de pastor Jacó servia
Labão, pai de Raquel, serrana bela,
Mas não servia ao pai, servia a ela,
E a ela só por prêmio pretendia.
Pensou?
Agora, a foto aí em cima é de um torneio que eu participei em Fevereiro desse ano e foi o mais perto que eu já cheguei de um "hole in one", que é a tacada em que você, do "tee", emboca a bola, num par três (ou quatro, essa eu já ouvi falar, mas nunca ao vivo), direto. mas isso já é uma longa história. Apenas reparem que estava chovendo e o buraco que a bola fez ao cair a umas 180 e tantas jardas (uma "madeira 5") e, caprichosamente rolou até a borda do buraco. Coisa de "nuts", ou, como diria o nosso amigo e humorista, Jô Soares, "chose de loque".
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2 comentários:
Chiquérrimo! Meus parabéns, embora eu saiba que "JAMÉ" porei os pezinhos num campo de golfe, acho tudo isso muito chique. Sem contar que o meu tenor favorito também dá lá as suas belas tacadas... Adorei tudo, menos a parte aí de "nosso amigo": eu perdi a fé no Jô depois que vi que ele imita o David Letterman, na cara dura. Custava inovar?
Nosso amigo é plural majestático. Minha humilde opinião é que "falar é prata, calar é ouro", como já dizia a minha finada avó. Se ele poupasse, ao menos, os seus (in)felizes entrevistados da sua verborragia sem nexo, ao menos, teríamos um clone de David Letterman, que por sua vez é (nefasto) clone de Walter Cronkite.
Nem um nem outro, e mais todos os seus clones mal clonados. Jô, como humorista é o que é, humorista. O resto é prosopopeia.
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